A Caverna e seu fundo explícito
- Carlos Wagner Coutinho Campos
- 22 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Olá!
fui andando, no ar das compras
lembrei de Saramago
e de suas amargas setas
certeiras setas
"a caverna moderna"
por aqui, por ali
meninos jesus de matéria
flores de plástico que nunca murcham
emana no ar, comprar comprar
Ah, ar? respiro fundo
os eus, todos nós
recolhemos a energia do desejo
os eões, os leões dos "senões"
senhores do ar
leões e tigres, feras dúbias
mas, sim, obrigado!
tá bom! muito obrigado!
fica, fico no ar, no vácuo
e eu que desejo
o que desejo?
desejo comprar?
ter, não ter...condições
não ter precisão...só desejos
desejo sim, a alegria de poder
de ter posse
ter da energia uma fonte
da alegria, da simpatia
da honraria
e vejo em volta, olho com olhos
com o coração
e fico por aqui vendo a humildade
faxineiros, trabalhadoras e trabalhadores
invisíveis, invisibilizados
olhos e mãos de dignidade
Olá, boa noite!
susto, surpresa, sorriso sincero
e eu vendo a humildade,
vendo as mãos que limpam
esforço e força dos corpos
vendo tudo que se expressa em ser menor
ser humildade por se ser real
ser aquilo que não se ensoberbece
ver que o amor é algo escondido
porém translúcido quando se o encontra
e que transcende a natureza
e fica no ar, mistura-se
sim, um desejo, um olhar
Como está? Coma vai?
como é estar presente
sempre presente, sempre pronto?
e fico assim jogando esforços
me deparando, absorto
galgando produtos, olhando vitrines
percebendo as diferenças
os desejos brotando
consumo consumado, consumido
desejos que surgem
na natureza intrínseca e real das coisas
e vamos construindo o humano complexado
envolvido nos laços da posse
e da desposse
Ei, estou aqui!
Sim e não!
estamos aqui mesmo? Sou mesmo?







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