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Vejo

  • Foto do escritor: Carlos Wagner Coutinho Campos
    Carlos Wagner Coutinho Campos
  • 19 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura


Vejo Publicado originalmente em 14 de agosto de 2020

Carlos Wagner

Eu vejo o sol lá fora, ele brilha incrível!

Eu vejo o girassol brilhar amarelo,

vejo o voar envolvido de um pássaro,

desenhando evoluções,

e escuto seu cantar, lá fora, lá nos galhos,

eu vejo belezas...em tudo...

Vejo o azul do céu,

vejo animais que brincam e que correm,

eu vejo o movimento da Terra,

Vejo o sol, todo dia, chegar ao ápice,

e o vejo descer, lento, escondendo sua luz, e vejo então estrelas, vagalumes,

vejo a lua silenciosa lá em cima, ela não julga nada.

Eu vejo pessoas bonitas

crianças lindas, idosos solenes,

vejo e cheiro flores vivas, garbosas...

e mesmo assim....

não perco, inebriado, o lado sem Luz da vida,

obscuro, mal cheiroso, sofrido, ardente,

pois também vejo, sem desviar o olhar,

e reafirmo, não quero deixar de ver a horrível figura do mundo em dor,

eu a sei, quero entender sua espécie,

peso, volume e densidade.

Olho e vejo gente sem alma, gente insana,

vejo poderosos investidos, armados,

vejo chefes articulando guerras de nações,

lutas de grupos, de famílias, de amigos, tropeço nas articulações e projetos do mal.

Observo bravatas de valentes horríveis,

vejo sanções à verdade,

vejo preconceitos, racismos,

fobias diversas, neuróticas fobias,

à pobreza, à indigência, às chagas feias nos rostos marcados, vincados,

vejo terremotos vindo,

vejo mortes, muitas, muitas mortes,

e vejo gente indiferente, intocadas...

No entanto, abro os olhos para alegrias, para a música, para as cores,

olho tudo com muito afinco.

E, sistemático,

não fecho os olhos para a horrível cena mundial, a dor e o sangue,

vejo tudo daqui da Torre da minha pineal, da minha hipófise confusa,

da minha perplexa tireoide,

do meu coração aflito,

do meu fígado azedado,

do meu plexo, perplexo e enojado com toda aberta capacidade desumana.

Sinto o pulsar, o ritmo do timo piscar para um "esternum" do peito, intermitente, abrindo e fechando,

e percebo meus meus olhos, que choram,

vejo tudo, quero ver tudo,

não fujo de nada,

quero aprender tudo, olhar nesse espelho,

enxergar minha humanidade desumana, em tudo,

Vejo-me acolher com engasgo, tudo que somos capazes,

a lama fétida da humana excrescência...

E, contudo,

quero o Bem!

quero ser bom!

quero ser bem melhor.

Quero o belo e o Bem,

mesmo que o Mal esteja nele colado,

Pois a essência é inevitável...

O bem e o bom e o belo...

O bom, e bom, e bom!

só escrevo o que vejo...

"Poeta bom é poeta que vive,

e que vê,

e que escreve,

mesmo tudo isso!!!

Carlos Wagner

Comentários


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Olá, que bom ver você por aqui!

Carlos Wagner, escritor, professor

Vamos conversar?

Obrigado pelo envio!

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