Viagem ao dentro (Relatos de viagem)
- Carlos Wagner Coutinho Campos
- 6 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de dez. de 2025
O viajante ao dentro
íntimo, sub mundo do "se ser"
avivou curioso, intrigado
anotou, rabiscou
registrou surpreso, preso a amarras âncoras vencidas, carrancas
palavras de ordem, gestos
locais desconhecidos
normas arcaicas, murais
repetições habituais
ambientes enjoados, conhecidos
palavras de fogo
queimando a lápide
seguiu com tinta
andando por trilhas
vírgulas, reticências...
caminhos de relvas e selvas
perscutando miragens
imagens sem forma
como que de um despertar de si
entre cortinas de sentimentos
muros volitivos e concretos armados
da velha estrutura de seu corpo
Atravessou rochas
margens do eu sem fim
a correr correr correr, voar viagens
iluminando, mal mal
escuros, com bruxuleantes tochas
Seguiu rabiscando...
"Passei na frente, obtive vantagens
vi plantações de tudo
reinos vegetais, infra humanos
seres fractais
de hortas a matos
hordas, tribos e galeras
capins navalhas
couves, alfaces e quimeras
vargens, árvores
frutos estranhos, venenos doces
ervas amargas, sibilantes seres
fumaças dançantes"
"Vislumbrei seres das sombras
vagando por entre sonhos e pastagens
ante um sol inquestionável"
"Nutri um sentimento de virgens
colhi desenhos e imagens
recolhi gemas, pedras e frutas brutas
revelando desejos
de serem brilho e pepitas preciosas
porém, ouro dos tolos
piritas enganosas"
"Mesmo assim, envolvido na empreita
encontrei muitas guerras
guerreiros maltrapilhos
expressões rudes ou palavras sem peso
tudo sob um sentido que parecia sonho
mas que me atacavam
concreto por certo
feriam a pele rente, cortes na alma"
O viajante, andarilho de si mesmo
anotou com perplexidade
quebrantado em sua rota estranha
abandonando identidade e auto imagem
sem manha
Num momento, escreveu
"devo ficar atento
pois vejo vultos, imagens, deslocamentos
brincam com meu medo
meus pensamentos"
"Tudo, miríades de objetos
podem ser nada
passam perto
voam como ventos, sopram meu rosto"
"Meu percurso, às vezes, fica pesado
empacado
como um jumento vendo o vento
ventura, por um específico lamento
um único instante ou momento
andando por trilhas, caminhos e margens
dramas e pastagens
miríades de miragens"
"Fico ereto, caminhando reto
seguindo vias de um sentido dúbio
predisposto, predileto"
"Então, consulto o movimento
acabo atento e quieto
rindo e desacreditando
toldado pelo medo dessa trama
expedição julioverniana"
"Existe, creio...
ou não sei direito...
deve haver um arquiteto
arqui-amigo ou inimigo
ou velho opositor
qualquer coisa, manipulador
intencional ator, bajulador
deus desinteressado, desdentado
deus escondido e discreto
inimigo, qualquer poderoso ente
edificando
parede ou teto, ethos, assombro
mente"
Assim, escreve:
"combalido, permaneço...
envolvido, duvido, mas sigo
vou em frente
nao consigo parar, freiar
caçando a mim mesmo
terras além mar, desejo pré dilúvio
e sei que sei da meta
e nada sei, um Sócrates mambembe
mas o impulso segue a seta
querendo achar o alvo
a compreender que o alvo
página em branco
alvo, porem algo obscuro
escuro, cura pura
ouro, cruz e endura
viagem que perdura
perfaz, no escuro mapa
obscuro agora, - não vejo a hora!"
A luz me acordou
perdi o sono,
acabou a tinta
faltou papel
A madrugada me acolhe
o violão me convida
"-põe em ordem as ideias confusas"
Admito!







Esse poema do poeta Carlos Wagner Coutinho Campos é uma viagem com todas as contradições, beleza e elegância que as tintas possam contemplar. Boa viagem.