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"Aquela mulher" e "Formiga"

  • Foto do escritor: Carlos Wagner Coutinho Campos
    Carlos Wagner Coutinho Campos
  • 30 de dez. de 2011
  • 2 min de leitura

Aquela mulher (meu bom exemplo)

Cláudia Patrícia(Para Anália)

Aquela mulher tinha sonhos

tinia

querelas com a vida escassa

a engrandecia todo dia

todo dia

não parava

não gemia

Aquela mulher pelejava e curtia

Aquela mulher tinha sonhos

de repente

eu era um desses sonhos.

Como eu poderia, então, deixar de sonhar

viver-arquitetar?

Aquela mulher vive em mim

e muito além de mim.




E mais:


Formiga

Cláudia Patrícia


Ando pelas ruas buscando encontrar a casa onde viveu minha mãe, na esperança de nela enxergar alguma marca do que foi sua passagem por aqui. Uma luz e sua sombra entre paredes, uma rachadura no muro que ela, certamente, um dia tentou remendar, uma letra escrita com um caco de telha, seu rosto atrás da janela…

“Cidade muito boa”, dizia. Nunca concordei totalmente. Sem ela, definitivamente. Busco um banco pra escrever estas linhas. A praça é feia e suja, e o verde dos bancos é apenas tinta sobre concreto. Mesmo entre muitos, quem é daqui reconhece os forasteiros, a quem olham com espanto. Ao menos, eles ainda guardam essa capacidade.

É certo que, se eu pudesse, faria do entorno destes canais um lugar aprazível, como se de uma Amsterdam tropical se tratasse. Como possivelmente foi um dia, com sua bela vegetação ribeirinha, frondosa, natural, agreste… Se eu pudesse, salvaria este rio, faria esta gente ver quão belo ele é, implantaria em sua pele uma vontade, uma mania, um ideal inexorável de cuidar dele e amá-lo, o que seria o mesmo. É claro que manteria os seus pitorescos quiosques pintados de verde à sombra de suas margens, um pouco mais limpos, talvez, e menos pobres de tudo, mas sem que perdessem sua autenticidade e seu charme, e somente para fazer jus ao rio renascido. “Cidade muito boa”, eu mesma diria.

Mas a cidade é porca, as pessoas são porcas, e minha única esperança é de que todo esse descaso e inconsciência não se instalem na mágica Capetinga (Santo Hilário), “muito boa”, sob cujas atuais águas nasceram oito belas mulheres, filhas de Maria (Dona Cota) e João, dentre elas, minha mãe, “muito boa” e cheia de luz!

 
 
 

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Comentários


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Olá, que bom ver você por aqui!

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