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Noite e dia em mim

  • 16 de mai.
  • 3 min de leitura

Às vezes sol, às vezes chuva

as vezes flor, outras frio cortante

deserto, outras calor íntimo

irradiação de luz pulsante

Hoje é noite!

Caminhando e pensando

noite real, andando por transeuntes

cada qual uma cena

e a noite é também símbolo

conceito,

marca simbólica, ou um estado

Ela "é uma criança", dizem

a insônia me priva da fuga

um estado que ocorre mesmo à luz do dia

insone

Se repete, digo e sinto

a situação parece íntima

pois, como ouvi do mestre:

"a escuridão não é ausência de luz"

se não podemos vê-la, ela está lá

a intuimos e ela quer se mostrar

às vezes a vemos chegar na alvorada

Em mim agora é noite

nao vejo uma nesga

só escuro

no fundo, a parede é escura

um muro, onde a tinta é preta

onde o barulho é treta

por todos os lados

ensurdece o pensar

parece querer me cercar

não dá para fugir

pra onde a donzela vai parir

ou pra casa do membro viril

"Não dá, eu ligo o rádio, a TV, o som e

blá blá blá blá blá blá

não dá para controlar"

dizia o grande lobo à matilha

É uma noite, uma noite,

e não me é estranha

porque conhecida

eu já a vi e vivi

ela já veio diversas vezes

e parece até ser "amiga"

vai e volta, vindas, vidas idas

infindas vezes

lindas, feias, ninfas

meias rasgadas, cobertor curto

flores cheias

ar sem cheiro

passadas sem freio

A noite é ilha escura

é o cerco das águas

parece envolvente

ilha de contornos diferenciados contornos quadrados, redondos

mas uma ilha, ilha, do ser-eu

do ser-nós outros, do ser-eles

nós todos

aperto da corda, aperto dos nós

de pensar em outros

de se pensar ele

elas, todos na noite

E uma ilha, é uma ilha, é uma ilha

e eu pensando, olhando no espelho

miro a minha ira, espelhada

agulhas no olhar, facas nos dentes

Aos tantos, e trancos

busco entender minha ilha

a bolha

que de repente parece enorme pesada, que nem Continente

e penso, incontinente

vasculho, mergulho, meço

minha ilha é só desenho

a mente, bruscamente, sem medir

tenta ver onde tudo vai chegar

até ao ponto de cogitar

que uma ilha é onde se possa ver

sentir o inferno

com anjos malandros

Insistem os pensamentos

os lugares obscuros da mentalidade

são inteligentes, são diferentes

são a ilha

de onde eu travo a luta

busco por saída, a fuga

pelejo por um bote, uma madeira

que se possa navegar

sem segurança

fugir da ilha

uma milha, duas, três milhas

Essa é a ilha do "eu-pobre" de mim

a ilha do indefeso

daquele que sentiu

que doeu, doou de si

e viu a dor no eu-mim

Assim segue a noite

que é escura, obscura

e o fundo é um muro

um muro escuro de tinta preta

e a cara, que surge pálida, polida

desenhada de memória

também é preta, também é treta

rabiscada em cores

preta, azul, marrom, roxa, lilás

e o rosto é perto, um certo semblante

está lá no fundo, no muro

é o meu rosto

do meu eu-mim matreiro, solícito

querendo ser salvo

evitando ser alvo

duvidando de algo

do eu eu eu, réu

que já não mais sou só.

Vislumbro companhia e lanterna

milenar

e Diogenes

Não sabia, agora sei!

"escuridão nao esconde a Luz"

é bom e certo

procurar o Ser em mim.

o facho da lanterna que corta a noite!

Carlos Wagner

 
 
 

Comentários


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Olá, que bom ver você por aqui!

Carlos Wagner, escritor, professor

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