Eu e eles
- 19 de mai.
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Eu e eles
sou eu, observo
sem paz
a ansiar profundamente
Eu e os quatro aqui
sem sossego
arremessado aos quatro ventos
sou íntimo irmão de todos
vivo deles, sou eles
Quatro naturezas intransigentes
exigentes
não abrem mão, relutam
sem harmonia e paz
por uma só vida
Pedra planta animal e mente
O primeiro chegou com a vida
desde o inicio
O segundo
apareceu junto,
desenvolvendo
por dentro, o primeiro
como o crescimento de uma planta
O terceiro foi surgindo
já rebelde, adolescente
palha e fogo
queimando combustível
esvaziando reservas
gastando eteres de vida
O quarto
assustado, o pensador
quis logo, em sequência, se impor
dizendo a mim que sabia
podia saber, resolver quase tudo
Pobre iludido!
Somos isso, quatro entes em mim
Meu corpo, naturalmente coeso
pisando, esbarrando, preenchendo
no mundo implacável
denso e real, agressivo ou frágil
regido por leis implacaveis
sofre por ser matéria
e como qualquer materia
é quebravel
O segundo
meu ser-planta
minha energia
vitalidade e metabolismo
insuficiente, se gasta
busca o elixir da continuidade
a fonte inesgotável
não tem sucesso!
adoece a si e ao conjunto
O terceiro
antagônico ao segundo
meus desejos, o ânima
complexo, multi vetorial
bebe da lua sua força, lunático
ansiedade, prazer, dor
em várias direções
um caótico caldo emocional
deseja liberdade
para ser sempre jovem
sonha-se Quixote
Por fim, o racional
incompleto
incompetente e imaturo
o pensador enjaulado
construtor de projetos, imaginativo
encadeador de correntes
prisões de mim mesmo
correias transmissoras
de imagens
e também, como não?
em guerra entre narrativas
se acha e sonha alto!
E eu, inquieto e infeliz
me falta paz
descanso e refúgio
anseio neutro sossego
procuro, obstinado
o centro quieto, equidistante
o cessar-fogo dessa guerra
nesse condomínio
litigioso edifício de mim mesmo
Quero a promessa do galileu
por que não?
"Que a paz esteja dentro de vocês,
A minha paz lhes dou"




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