Corpo torto & 13 de maio
- 16 de mai.
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1° Ato
CORPO TORTO Wellington Kalil

CORPO TORTO
Conforme a intolerância a vista impiscável coteja o alvo
de acordo com a cor o tom da bala
que se revela no rápido gatilho
cifrado no calibre inumano na mão do pistoleiro
o dedo pau-mandado dedilha
a balada/alada/da bala
dirigida/rígida/ida sem volta nas cifras do escuro de tocaia
dedo cano cão e gatilho aliados
tiro certeiro
em desabalada/abalada/balada/alada carreira da bala dolosa
na cabala inocente do peito da pele preta mas o corpo sujo da bala frente e verso
transfixa a consciência limpa
versificada no dia da abolição incompleta
o sangue quente script no chão frio da rua omissa
de onde o ritmo
Entanto
a pólvora branca na pele preta
a bala viva no corpo morto
a bala rígida no corpo torto
a bala quente a sangue-frio
a fleuma da bala à queima-roupa
a bala concreta no coração líquido
a bala sem alma na alma infinita
a bala fixa
a alma viaja Ver menos
2° Ato
TREZE DE MAIO Carlos Wagner
Meu querido irmão
Seu poema é bala e balada de blues
e canto espalhado
ritmado, grito na dor da saudade e do banzo.
te sigo, devoto e humilde
ato contínuo
Treze de maio
Carlos Wagner
O poema abala
bah bah bah, três tiros
tiram a certeza tola
do tolo lodo que fede intriga
traição, dor, humilhação
lado a lado com asas de chumbo
negros alvos
vermelhos sucos manchando o chão
pele escudo da alma azarada
as balas, belos doces inocentes
de pólvora louca da ação porra louca
a mando de demônios
imundos humanos
penetram à dor e domínio
do mínimo escudo pra morte
a sorte lançada a laços
lanças e, de novo, balas e cordas
jogados em alas e sem lastros
prometendo correntes e chicotes
e um mundo novo ambíguo
belo, parecido, porém prisão
porém porão, senzalas
e só sonho de heróis
salvadores
a última esperança de fuga vigiada
mergulhados em mística releitura na Diáspora
rebelde afro católica
de seus sagrados consagrados em África.
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