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RUA PITANGUY.docx

  • Foto do escritor: Carlos Wagner Coutinho Campos
    Carlos Wagner Coutinho Campos
  • 2 de jul. de 2015
  • 2 min de leitura

Maravilha! Mais uma participação de peso, pessoa assim indo do A ao Zénite calor Kalil, colado ali no instante, tanto tempo porá temporalidades no menu das nossas refeitas ações dos improvisados encontros pra sempre… pre estabelecidas as latitudes, longas atitudes de querer ser/descrever discursos im-perfeitos porque feitos na hora do amor. Vai lá!!!





Porque a juventude é também uma criança assim como a noite e a arte. Sob o notívago signo do rock’n’roll, eu vi o movimento hippie, transitando pela liberdade e a loucura plutônica emanada de woodstock estreladas no céu da noite de nossas cabeças incorporando os anos setenta e o projeto de um ajuntamento intenso de jovens sem compromisso com nada, apenas com o desejo de juntos se protegerem na misteriosa liberdade que inspira o desenho de uma rua, em cuja abertura se refugiavam das pontiagudas esquinas. Por outro lado ainda, do outro lado do mundo floresciam os beatles e os rolling stones, enquanto eu cultuava três divindades: lou reed, na voz de walk on the wild side; o deus poeta, bob dylan, dizendo like a rolling stones e o divinamente brega, waldick soriano. Tudo isso compunha o cenário das minhas crenças, e caminhava comigo, quando todo mundo varava a madrugada de quase todas as noites da semana pensando cada um por si e todos por um. No meio do quarteirão, fulgurava como um facho de lua cheia a casa do bravo e delicado seu hermélio, marido de santa anália,  amorosa mãe e dedicada dona de casa, escritora de belas poesias que nos ensinou a espiritual virtude da tolerância e o valor da bondade, a qual, igual cada um,  eu aprendi a amar e a respeitar como se fosse mãe, ali transitavam  todos os lugares do mundo, todos os homens da terra e todos os bichos do céu nossos irmãos, nossos queridos irmãos, uma exótica fraternidade que logo se refilhou pelo astral do brasil inteiro e nos tornou uma sagrada família no bairro homônimo, onde haviam uma varanda sempre iluminada, o quintal de muro baixo limitando o vetusto quintal, parcela de um passado de fazendas, fazendeiros  e alucinados tropeiros, um quintal guardado por um bosque em festa e perfumado de maçãs e jasmins e um bem cuidado roseiral, fruto do desvelo de dona anália, que, logo após, caminhando para a saída do portão, via-se a inconfundível lua que rimava com a sagrada rua pitanguy que, assim como o rio ganges,  era um portal para o infinito, ainda hoje acredito que ali subsiste a sublime ideia de que a rua é  uma estrada encantada rumo ao alpha e o ômega e ao íntimo infinito. A rua era o nosso rio por onde navegavam conversas incríveis, nossas esperanças perdidas, amores vãos e, sabe-se lá por que, as mais inconfessáveis entre anseios e poesias aldrabadas, bandoleiros e luxuosos bandolins. Logo aprendi a tocar violão que faria parte de mim por toda minha vida, eu vim daquele sagrado universo, de onde as metáforas e metafísicas palavras.


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Comentários


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Olá, que bom ver você por aqui!

Carlos Wagner, escritor, professor

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