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Meu jardim

  • Foto do escritor: Carlos Wagner Coutinho Campos
    Carlos Wagner Coutinho Campos
  • 23 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de jul. de 2025

Autor: Carlos Wagner


Meu jardim está maltratado

descuidado, mal arado

sujo e misturado.

Mas não pra sempre


Na volúpia da vida

ervas surgem, secam e ressurgem

plantas de desejos e anseios

medos e sombras

sementes e brotos desejosos

exigentes, e muitas vezes tirânicos

incomodos, mimados


Preenchem os cômodos e os canteiros

áreas de sombras

nascem sem mim ou de mim

sugam a alegria do jardineiro pedinte

dispersam dele a atenção


E ele deseja, como deseja...!

plantar ervas que elevem ao puro solo


Meu jardim está imperfeito

sou um jardineiro anelante

que vê brotarem ervas estranhas

carentes de luz e de Alma Viva

ervas que não entende

nem reconhece

de apegos, dores, vícios e prazeres


Meu jardim inteiro

interior jardineiro

voltou a secar as boas plantas de vida

tudo vai e vem, começo e finitude


O jardineiro anseia

por ervas remédios

pra alma e corpo

curadoras de jardim

e da doente alma-eu mendiga

que ele inteiro beira sarar


Meu jardim é o meu mundo

de sombras e luzes

fugazes alegrias, e dores


Onde dormita a paz?

Quem fez a promessa

que por árduo trabalho

virá limpeza definitiva?

Quem ensina a boa agrimensura?

Onde, como, quanto cuidar?


O jardineiro-eu está impotente

e cego

perdido nos sinais que vê indicarem

a lavoura alvorada

a cura e a pura colheita


Meu jardim me envolve

ouve, devolve, dissolve, revolve

sinaliza símbolos

e desenha segredos


Meu jardim, meu mundo

sou seu andarilho

afogado na néscia perspectiva

de fazer brotar as plantas do elixir

de uma única cura:

Milagrosa e Misteriosa


Meu jardim é desejo constante

da promessa de cura

do Amor, o Remédio Universal

e o jardineiro-eu que sou

mendiga deitado na fonte de Bethesda

grita pela força, morto vivo

a esperar o agitar das águas


Deixar de estar morto, seu sonho

para ver nascer o Jardineiro-Alma

aquele que aguarda ser encontrado

e acionado, o manso

pronto para rejuvenescer o solo

fazer chegar a luz aos cantos

e fazer nascer, brotar, criar

novas ervas e frutos, curadores

irrompendo no solo da Vida real

onde inquilino-me

como Raul, há dez mil anos


Soa o anelo que desperta ervas

de pulsante vida de Amor terno

sanadoras de jardins mal cuidados

abandonados por erro comum

a ignorância errática

de desconhecer a Luz sempre presente

cegada por véus do si mesmo.


Meu jardim, seu jardim

dele jardim

mar de sombras amigas e jasmins

ilusões, tiros de festins

de vida complexa, começo e meios

que não se justificam no fim

onde tudo leva a

abandonar o tudo em torno de mim

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Olá, que bom ver você por aqui!

Carlos Wagner, escritor, professor

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