Hermélio José
- Carlos Wagner Coutinho Campos
- 1 de mar. de 2012
- 4 min de leitura
Hermélio José despediu-se. Finalmente se viu livre do corpo que honrou até aqui, e que gerou as experiências de uma vida voltada para o bem. Fica pra nós o exemplo, a força de seus atos, compromissos fraternos. Filho, irmão, esposo e pai, primo e amigo, zeloso, cidadão ético e dedicado, esteve, ao seu jeito, às vezes de forma brava ou impaciente, sempre a favor dos mais humildes. Quem o conheceu sabe o quanto o indignava a injustiça, e que a simplicidade era seu signo. Da minha parte, fica a admiração pelo irmão sempre à disposição para o auxílio, com o olhar meigo e atento.Foi impressionante a dignidade de sua morte, suportando por um longo período, como um , os incômodos de uma doença implacável. Presenciei sua busca e anseios por uma compreensão espiritual das razões e da essência de sua experiência final. Segredou-me seu desejo de ter mais tempo para adquirir uma compreensão mais elevada. Esse tempo lhe será concedido numa outra lógica, estou convicto disto.Vai com Deus, meu irmão. A morte do corpo não mata a vida da Alma nem da consciência. Num plano diferente deste mundo material te aguardam novas tarefas e irmãos muito amados para auxiliá-lo. Sua partida não rompe os nossos laços de amor. Esteja em paz e prossiga rumo ao Cristo Cósmico, nossa única razão de vida.

Carlos Wagner Segue o comentário da Roberta. De tão lindo, ganhou status de postagem em sequência…
disse…
A viagem do Zé Piano.
Olá família Campos!!!!!! Sou uma das primas de vocês. – Quem? – Filha da Sonia Lúcia e do Bebeto. – Ahhh… – Qual das duas?? – A Fisioterapeuta. – Ahhhh, a que atendeu o Zé?? – Esta mesmo. – E a outra??/ Faz o que mesmo? – A minha irmã? Sua prima também? É advogada. – Ah é….e tem o Marcus Vinicius, ne? – Tem sim, meu irmão. Marcus Vinicius. – Hahhhh. …………………………….. Dia 29 de fevereiro de 2012.
Pego o telefone e ligo pra minha mãe (Sonia Lúcia Campos Lins). Ela chora muito e quase não consegue falar. Parece uma criança. – Mãe, não chora. Ele estava cansado de tantas limitações. Já cumpriu o seu caminho aqui….agora vai ficar saudável de novo. – E minha mãe aos prantos: mas ele é meu primo amado. Somos como irmãos…. Quem vai me chamar de Lili Grande????? Todos os que eu amo estão morrendo….. – E eu: mãe, em que você acredita? Acha mesmo que ele acabou? – E ela aos prantos: não!! Mas não posso mais trocar e-mails com ele, receber suas cartas e nem conversar com ele mais.
……………………………..
Este preambulo é para justificar minha mensagem aqui, no blog da família, em memória ao amado Zé Piano. ……………………………..
E pra dizer que o tempo é curto demais…., é pouco, principalmente quando esta passando. Para dizer que o tempo nunca cabe todos os nossos sonhos e expectativas. Não cabe tudo o que gostaríamos de ter feito, visto ou dito. Não cabe nem o que já ficou para trás. Tenho começado a sentir o tempo agora. E ele tem deixado marcas inexoráveis. Minha pele é prova disso. As perdas têm ficado mais frequentes e mais reais, talvez para lembrar o que realmente importa.
Lembro que quando era criança, uma das maiores perdas que lembro foi a de um primo. Lindo, jovem, saudável. Chegava a nossa casa sempre de bicicleta para jogar xadrez com meu pai. O que me lembro dele (já não sei mais se é verdade ou foi o tempo que o desenhou assim para mim) é que ele parecia com as imagens católicas de Jesus Cristo, com os cabelos longos e a pele dourada. Rogério era o seu nome.
Agora vou falar do Hermélio José. Zé Piano, para mim e meus irmãos. Aquele primo lindo, enorme, inteligente….que ia a nossa casa quando éramos crianças e batia papo com meu pai e minha mãe. Brincava com a gente. Entrava em nosso quarto e arrancava no colo minha irmã que se escondia dentro do armário, Raquel, a advogada, que tem dois filhos lindos (Felipe e Daniel e é casada com o Marcelo). E quando íamos a casa do Tio Hermélio e da Tia Anália, casa que achávamos que era mágica….pois a achávamos enorme, cheia de plantas, sempre cheia de gente bonita, de música, de livros, de vozes, de luz… Era também a casa do Ze Piano. Onde, aliás, tinha um piano que ele tocava para nós e por isso a alcunha. É…. a vida é curta. Parece ontem….
E mais uma lembrança doce: adoro animais. E por isso, na minha infância tive vários deles: cães, gatos, passarinhos, peixes, papagaios, tartarugas. Aquelas tartaruguinha pequeninas que cabem na mão. Minha mãe sempre me dava um casal e quando elas morriam, minha mãe repunha. Mas eu sempre sabia. Afinal, eram as minhas tartarugas. E como eram um casal, sempre tinham o mesmo nome. O nome do casal mais perfeito: Patrícia e Zé, Zé Piano. E nem sei se eles sabiam disso…..
Fica então registrada ao Zé Piano e pelo Zé Piano, minha admiração e meu amor. Gostaria de ter estado mais perto. De ter convivido mais…. Achei que ainda dava tempo. Ainda assim, acho que ele é uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Com sua generosidade, o coração cheio de amor a boca cheia de palavrões.
“Boa terra em teus pés, água o bastante em sua semente, bom vento para o teu sopro, fogo em teu coração e muito amor em teu ser.” (J.Y.Leloup) Roberta Lins
12:45:00
E mais, do Célio Humberto Vasconcelos, essa poesia… Obrigado Célio
Veio-me uma inspiração e saiu um acróstico em homenagem:
HERMÉLIO
CHV
Hoje já morri e deixei o aspecto físico desta terra,
Espero, não como pessoa, continuar a subir a serra.
Renasceu em mim a ideia antiga da sutil libertação,
Meu irmão, calado, estimulou a força do coração.
É uma oportunidade em direção ao núcleo central,
Luz e amor trazem uma sublime irradiação astral.
Imensa alegria por receber convite na última hora,
Ordem invisível é este mundo onde estou agora.
Abraços,
Célio.





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