Fernando Pessoa
- Carlos Wagner Coutinho Campos
- 31 de out. de 2011
- 1 min de leitura
Meu pensamento é um rio subterrâneo
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Fernando Pessoa in Poesias Ocultistas
Meu pensamento é um rio subterrâneo.Para que terras vai e donde vem?Não sei… Na noite em que o meu ser o temEmerge dele um ruído subitâneoDe origens no Mistério extraviadasDe eu compreendê-las…, misteriosas fontesHabitando a distância de ermos montesOnde os momentos são a Deus chegados…De vez em quando luze em minha mágoa,Como um farol num mar desconhecido,Um movimento de correr, perdidoEm mim, um pálido soluço de água…E eu relembro de tempos mais antigosQue a minha consciência da ilusãoÁguas divinas percorrendo o chãoDe verdores uníssonos e amigos,E a ideia de uma Pátria anteriorÀ forma consciente do meu serDói-me no que desejo, e vem baterComo uma onda de encontro à minha dor.Escuto-o… Ao longe, no meu vago tactoDa minha alma, perdido som incerto,Como um eterno rio indescoberto,Mais que a ideia de rio certo e abstrato…E pra onde é que ele vai, que se extraviaDo meu ouvi-lo? A que cavernas desce?Em que frios de Assombro é que arrefece?De que névoas soturnas se anuvia?Não sei… Eu perco-o… E outra vez regressaA luz e a cor do mundo claro e atual,E na interior distância do meu RealComo se a alma acabasse, o rio cessa…





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