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Amor?

  • Foto do escritor: Carlos Wagner Coutinho Campos
    Carlos Wagner Coutinho Campos
  • 22 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 24 de jul. de 2025

Amor?


Carlos Wagner


Muitos dizem, "tudo o que você precisa é amor"...


Todos querem o amor,

nas sessões, nos consultórios, nos motéis,

nas igrejas, nas baladas,

e nas caridades honestas...


Ah, o amor,

cantado pelos poetas, desejado por todos,

implicando bons e maus...

mas...

Como defini-lo?


É sentimento?

Bem-querer, gostar, desejar, simpatizar, agradar?


Amamos?

Eu amo?

Não sei, certamente...!

Pode ser, porém,

falta-me ainda a sabedoria!

e isso Eu sei!


Amo, ou quero amar,

o indefinido infinito impulso em mim,

"aquilo", o Tao, o mais profundo transcendente em mim,

aquele ponto, faísca,

de quê e de onde "nada sei",

aquela partícula absolutamente impessoal em mim,

absoluta e resoluta luta em mim

contra o medíocre ocre e "ogro" eu,

o "sentindo-se" existir em avanço lento

no inesperado "bem" maior de tudo,

mesmo que a sofrer revezes importantes,

por ignorância pura.


Amo o Amor daquele Amor maior

que me chama lá do nada ser,

do nada prender, do nada reter.


Amo a figura calada em mim,

Esfinge, semblante da "Rosa setupla",

chacra aberto em chagas, no coração,

a flor de que nada sei até então,

até o hoje desconhecido mim mesmo,

aguerrido e lutador,

na inconstância da minha identidade

mais do que indefinida,

apesar da certeza de que ela é

sombreada por uma sabedoria de fundo.


Amo,

e temo não poder amar tanto

que não seja capaz de mergulhar

na harmonia das sete centenas de universos íntimos de alegrias certamente "não-egocêntricas",

não pessoalmente revestidas de prazeres de um "eu" burguês que sou,

desejoso de riquezas, honrarias e poderes...


Amo,

e devo aprender a não desejar possuir o objeto desse Amor,

pelo impossível dessa possibilidade,

pelo anacrônico e paradoxal desejo que

nasce em mim de querer abarcar esse Amor não sensato, não pensado.


Somente posso buscar enxergar além das barreiras e limites dessa não-forma que é o Amor,

chama de fogo crescente que me chama,

me grita,

fogo perigoso,

que queima os incautos incontidos ignaros,

chamuscados pelo que pensam, erradamente,

seja o Amor uma meleca sentimental

de místicas percepções prazerosas,

tristes e/ou autocomplacentes...


Sim, entendo,

o Amor nada tem de um "gostoso querer",

de sentimento e emoção,

é puro fogo queimando nas retortas da "alquimia" da alma,

da qual meu ego, inadvertidamente,

se aproximou sem os devidos cuidados,

como um desajeitado curioso em algum laaboratório

a correr perigo!


O Amor pode queimar quem dele

pensa fazer possessivo uso,

usuário que quer se ver livre

de suas auto criadas consequências e respostas,

das quais quer se livrar,

das lambadas da vara que volta sem cessar,

sem dúvida,

por dívidas de vidas.


Bater na porta do AMOR?

Disse o Mestre:

"Bate, e se abrirá"!

Quem quer bater nessa porta?


Pois então que saiba como bate e porque bate,

pois a resposta do Amor sempre vem,

impessoalmente deliberada,

e será pessoalmente recebida,

com látego e surpresa.


Amo,

mas sei, só quero aprender como amar o AMOR.

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Olá, que bom ver você por aqui!

Carlos Wagner, escritor, professor

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